Pálpebra virada

Pálpebra virada: você conhece este problema?

O problema da pálpebra virada, também conhecido como entrópio, é a condição causada quando a pálpebra se dobra e vira para dentro do olho. A alteração estética é imediata, e em geral acomete pessoas mais idosas. Porém, ela pode surgir também em jovens, em situações muito específicas.

A retração palpebral causada pela doença faz com que os cílios toquem a córnea dos olhos e causem irritação, vermelhidão a abrasões na região. Seu desenvolvimento é imperceptível e bem lento, piorando mesmo nos movimentos mais simples dos olhos. O tratamento é fundamental para evitar que surjam infecções, que podem afetar a qualidade da visão.

Características e causas da pálpebra virada

O afrouxamento dos músculos das pálpebras é a causa do surgimento do entrópio, que se manifesta invertendo a sua borda para dentro. Pode surgir tanto na parte superior quanto inferior, fazendo com que os cílios irritem a córnea.

A principal fonte do seu desenvolvimento é a senilidade. Com a perda de colágeno, os músculos vão se tornando mais frouxos, ajudando no processo de inversão da pálpebra.

A pálpebra virada também pode se desenvolver nas seguintes situações: queimaduras causadas por produtos químicos; cirurgia que altera o formato do globo ocular e que descole a pálpebra; como sintomas de tracoma (doença ocular comum em algumas regiões do planeta) e em Herpes Zoster Ophthalmicus (chamado de HZO e que está relacionada a catapora, provocando uma infecção no olho que pode se tornar grave). Já o entrópio congênito, que surgem em bebês quando nascem, é a forma mais rara do problema. Um problema parecido é o epibléfaro, que aparece mais em crianças e bebês asiáticos e acomete a pálpebra inferior, e é mais comum do que o entrópio congênito, mas pode causar irritação, fotofobia, lacrimejamento e astigmatismo nas crianças.

Oposto ao entrópio há o ectrópio, que tem o mesmo princípio, mas vira a pálpebra para a parte exterior. A doença deixa a superfície interna do olho exposta, deixando a pálpebra cada vez mais distante do contato com a conjuntiva bulbar.

O entrópio é um problema que também é encontrado em animais, inclusive algumas raças caninas tem essa característica muito comum como o Basset Hound e o Coker Spaniel.

Como tratar a pálpebra virada

Às vezes, os sintomas tardam a aparecer, mas o primeiro deles é uma irritação nos olhos sem que se perceba a causa. Em seguida, os cílios começam a encostar na córnea e a provocar problemas na região.

Dos sintomas mais simples como vermelhidão e lacrimejamento, o problema pode avançar para infecções da córnea, cicatrizes e perda da visão.  Por isso é importante o diagnóstico precoce. Ao primeiro sintoma é importante procurar um oftalmologista, que fará uma série de testes de elasticidade baseados na avaliação clínica.

E é o médico quem proporcionará o primeiro tratamento ao puxar a pálpebra para o lado de fora do olho, mas seu efeito é de curta duração. Em muitos casos há aplicação de botox para um efeito temporário de alívio.

A maioria do casos requerem uma cirurgia de correção muscular. Existem várias técnicas cirúrgicas, que será decidida após uma avaliação oftalmológica e palpebral minuciosa, para devolver o conforto e manter a visão saudável.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter, e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como oftalmologista em São Paulo.

Posted by Dra. Erika Uchida